Situação dos deficientes volta a ganhar
destaque com a Campanha da Fraternidade


Tema é visto com otimismo pelas pessoas
relacionadas a questão em Araraquara

Carlos André de Souza

A Campanha da Fraternidade de 2006 teve início no dia 1º de março e tem como objetivo principal fazer com que a sociedade questione sobre suas atitudes e convivência em relação às pessoas com deficiência. Com o lema “Levanta-te, vem para o meio”, a campanha é transmitida a um nível mundial, mas em Araraquara já é analisada positivamente pelas pessoas envolvidas no tema. Igreja, entidades, Prefeitura e principalmentos portadores de deficiência vêem a campanha como uma ferramenta para facilitar a introdução do deficiente no meio social, mostrando que deficiência não tem o mesmo significado de incapacidade.
“Há muitos anos tem se buscado a sensibilidade que o Evangelho cobra de cada um de nós em relação à vida humana, principalmente àqueles menos favorecidos pelo sistema social, político e econômico”, afirma o Padre Helder José Silva, missionário redentorista da Igreja de Santa Cruz. Segundo ele, outros temas já foram propostos em anos anteriores na tentativa de resgate da dignidade das pessoas, sempre a partir de valores evangélicos, refletindo sobre menores abandonados, idosos, índios, presidiários e este ano a campanha busca a reflexão sobre as pessoas com deficiência. “É um tema bastante pertinente pelo fato dessas pessoas serem bastante desvalorizadas e marginalmente excluídas. Enquanto igreja e sociedade, precisamos nos conscientizar da nossa vida de irmãos que somos e de, assim como Jesus, irmos ao encontro dos mais necessitados”, completa.
Para José Carlos Zanone, administrador do Instituto de Cegos Santa Luzia, a Campanha pode vir a conscientizar muitas pessoas, embora o maior problema esteja dentro da própria casa dos deficientes. “Por mais que se tente colocar o deficiente em contato com a sociedade, a maior dificuldade é a falta de estrutura familiar”, afirma. Segundo ele, algumas melhorias poderiam ser estudadas para facilitar a vida dos deficientes visuais, como por exemplo a identificação dos andares em braile nos elevadores.
César Augusto Ferreira, Presidente da UDEFA (União dos Deficientes Físicos de Araraquara) também fala com otimismo sobre a campanha. “Tudo que for feito para trazer benefícios aos deficientes é bom. Não é a primeira vez que a Campanha da Fraternidade aborda a deficiência, mas é sempre bom os deficientes serem lembrados”, conclui.
Trabalhando diariamente em um supermercado da cidade, Émerson de Souza possui uma deficiência que faz com que ele tenha que se locomover por meio de uma cadeira de rodas. Para ele, a cidade evoluiu em termos de oportunidade para as pessoas portadoras de deficiência, principalmente em relação a trabalho. Mas ainda pode melhorar muito em relação a outros fatores, como o transporte e principalmente rampas em calçadas nos bairros, uma vez que elas só são encontradas nas calçadas do centro da cidade. “Espero que a Campanha da Fraternidade faça com que as pessoas passem a olhar com mais igualdade os deficientes, facilitando a convivência”, diz.
Segundo a assessora de Projetos para Pessoas com Deficiência da Prefeitura de Araraquara, Márcia Pizzone, cerca de 540 pessoas são atendidas em entidades sociais da cidade, que recebem ajuda do Governo Estadual e Federal. Outras 676 recebem o Benefício de Prestação Continuada, que é uma verba que vem do Ministério da Assistência Social que beneficia pessoas portadoras de necessidades especiais na cidade. Outros projetos foram instaurados para facilitar o convívio dos deficientes na cidade, através de programas e atividades no setor de reabilitação. O Programa de Diagnóstico e Intervenção Precoce do Bebê de Risco também é um projeto importante com caráter de prevenção, que busca minimizar danos e suporte familiar, contribuindo também para a diminuição da mortalidade infantil.
Quanto à educação, Márcia afirma que 296 alunos foram incluídos no ensino comum em 2005, em um projeto que teve início em 2001. Cursos de braile e libras também completam o setor. Na área de esportes, a inclusão dos deficientes é feita através de competições de natação e atletismo. Segundo a Prefeitura, existem hoje 1685 pessoas com deficiência que andam de ônibus gratuitamente e para isso o município conta com dois tipos de transportes especiais, que são a van e o microônibus adaptados. Na área de geração de trabalho e renda, são promovidos cursos de capacitação e requalificação profissional.
Para este ano, alguns projetos estão em andamento, os quais buscam o acesso de pessoas com deficiência em todas as áreas, como educação, saúde, esporte, cultura, lazer e outras.

________________________________________
Reportagem produzida em 2006 para o curso de jornalismo da Uniara

 

Cartaz da Campanha da Fraternidade de 2006, que pretende integrar com igualdade o portador de deficiência à sociedade